sábado, 11 de junho de 2016

Mil olhos diferentes

São mil olhos diferentes
azuis, castanhos e pretos
incolores e até cinzentos.
São olhos que gritam
apertados na multidão
cabeças de gado, ermitas
que lutam por uma codea de pão.
Providos de uma alma poetica
o sangue corre como lava
nem mesmo a rima simétrica
o ronco do estômago acaba.
Todos diferentes, todos iguais
são crianças descontentes
com presentes artificiais.
O sangue é lágrima que corre
sobre um corpo enfraquecido
eles são tudo, eles são nada
eles são um povo destemido.
Entupidos na multidão
afogados nas incertezas
de uma mina de carvão
inspiram as tristezas.

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte



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